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Novas regras para campanhas eleitorais de 2020 – Como as redes sociais podem interferir?

Já é comprovado o poder das redes sociais na influência de decisões e ideias sociais. Entretanto, o que preocupa é como elas podem interferir nos resultados das eleições de 2020 no Brasil, ainda mais em clima de isolamento social com muitas pessoas conectadas e consumindo informação por mecanismos não tão confiáveis (vulgo internet,Whatsapp e Facebook). Mas qual é o verdadeiro perigo destas ferramentas em tempos de campanha?

As armadilhas das redes sociais e novas regras de campanhas

Os social bots são perfis automatizados nas redes sociais que aparecem no entanto, como “humanos”. Dado que constituem um fenômeno realmente novo –que adota a forma de uma imitação enganosamente genuína de um usuário–, ainda é muito pouco o que pode ser dito sobre seu efeito concreto, mas, aparentemente, é de enormes dimensões. Não obstante, isto não significa, em princípio, nada, porque –e isso a muitos lhes causará comoção– os instrumentos tecnológicos, assim como os políticos, em geral, são utilizados irresponsavelmente, mesmo quando não se tem a mais pálida ideia das suas consequências.

Mas pelo menos devemos levar a sério os social bots: quanto há realmente interesse por um determinado assunto? Você pode ser calculado como se distribuem realmente as posições a favor e contra? Também pode-se pensar em uma nova forma automática de impor agenda (automated agenda setting), ou seja, despertar a atenção sobre certos temas por meio de uma avalanche de mensagens automáticas no Twitter e as reações que despertam. Daí surge uma dimensão do social bots pouco considerada: a sua função como estratégia de relações públicas. Quando certos conceitos aparecem entre os trending topics do Twitter, aumenta a probabilidade de que se publiquem artigos de jornais sobre eles. Não está claro se os social bots exercem uma influência política direta sobre os usuários. O que sim é possível é que possam vir a influenciar as redações dos meios jornalísticos. E com a função que permite impor agenda de forma automática, nasce um ponto de partida para a influência política indireta.

Propaganda social eleitoral nas redes sociais

Um fenômeno limítrofe com os social bots, pelo que tem surgido nos últimos anos é o gênero de propaganda social (social propaganda): trata-se da influência política mais ou menos dissimulada que se exerce com as redes sociais e nelas. Como é possível publicar anonimamente, com um nome de utilizador ou através de testas-de-ferro, as redes sociais acabam sendo um paraíso político perfeito para os profissionais de propaganda. Os arquivos de Snowden revelaram a existência do Grupo de Pesquisa e Inteligência de Ameaças (Joint Threat and Research and Intelligence Group, jtrig). Este agrupamento, pertencente à Central de Inteligência do governo britânico, trabalha manipulando a rede. Notícias falsas, falsas acusações, com seus correspondentes relatórios de vítimas, pesquisas e votações online alteradas: as atividades são as mais pérfidas e são amplamente diversificadas. Os instrumentos de os britânicos foram descobertos; os russos recentemente começam a perfilar-se.

Isso é relevante porque, nas democracias ocidentais, as eleições estão sujeitas à influência da mídia e da propaganda social. E porque a Rússia de Vladimir Putin foi posto do lado do autoritarismo de direita. Não apenas dando os créditos a Frente Nacional francês, mas também pela sua proximidade política com Trump, com Alternativa para a Alemanha (afd, por suas sigla em alemão) e com o Partido da Liberdade da Áustria (áustria). A revista Newsweek se pergunta mesmo se Putin teria “instalado” a Trump através dos e-mails de políticos democratas supostamente hackeadas por forças russas e apoiando a plataforma de vazamentos e tramas políticas Wikileaks, que, entretanto, tornou-se favorável a Trump. E também pelo tratamento nas redes sociais. Ironicamente, essa influência secreta sobre os outros países segue um modelo: o dos Estados Unidos nos tempos da Guerra Fria. Com as redes sociais, esse “jogo” se torna cada vez mais complexo e difícil de desvendar.

A propaganda social utiliza instrumentos como o astroturfing, ou seja, cria a ilusão de um apoio em massa com o objeto de que se soma apoios genuínos: a massa exerce um efeito de atração, e as redes sociais não estão alheias a essa influência. Outra estratégia é inundar a rede e confundir publicando uma variedade de diferentes interpretações de acontecimentos reais, inventando outros falsos e adicionando verdadeiros disparates.

Desse modo, os fatos se afundam na maré de opiniões, porque entre a “opinião” e a “interpretação da realidade” existe uma zona cinzenta muito difícil de penetrar. E a desconfiança cada vez maior para os meios de comunicação tradicionais, produz um efeito amplificador: supõe-se que não há “nenhuma verdade”, a mentira de propaganda ocupa um lugar com idênticos direitos que a notícia esclarecedor. É difícil estimar qual é o efeito específico dos diferentes instrumentos de propaganda social. O que está comprovado é que a propaganda surte um efeito. E é provável que isto também vale para suas irmãs, as redes sociais.

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