Brasil

O que esperar para as próximas eleições no Brasil?

Tenha-se em conta que nada é evidente no firmamento político brasileiro. Conta com 33 jogos e em breve poderá expandir-se até limites inexplorados. No banco de dados do Tribunal Superior Eleitoral aparecem 77 novas organizações em pleno processo de formação, incluindo o último projeto do presidente Jair Bolsonaro, Aliança pelo Brasil. Bolsonaro deixou o Partido Social Liberal, há dois meses, depois de uma árdua disputa interna e acusações de fraude eleitoral, ainda por resolver.

Há uma realidade, no entanto, que Bolsonaro não esconde. Seu novo partido, não chegará a tempo para as eleições autárquicas; ou seja, não poderá contar com candidatos próprios. Precisaria coletar um milhão e meio de apoios antes do mês de março, em pelo menos nove estados do país, que em seguida devem ser validados, um por um pela Justiça Eleitoral. O momento reuniu as assinaturas de cem mil fiéis. “É muito difícil, não vou me enganar, a probabilidade é de 1%”, comentou perante os meios de comunicação em uma audiência no Palácio da Alvorada, residência oficial, no passado dia 21 de dezembro.

De momento, a sua estratégia passa, como em 2018, por evitar o máximo possível o confronto direto, onde sabe que tem muito menos experiência que Lula da Silva. Ao ficar sem apoio de nenhum partido, Bolsonaro está tendo que elaborar novos discursos. De acordo com o líder de extrema-direita, o detalhe de chegar tarde às eleições municipais, com a sua Aliança pelo Brasil, sem qualquer candidato sob a sigla, não é nenhuma “obsessão” para ele. Mesmo assegura que se encontraria em um possível cenário que permitisse a presença de candidatos que foram por livre. “Agora nós temos que discutir como seriam as candidaturas de deputados e senadores, porque se fossem independentes, para mim, seria ótimo”, disse, com vistas já em as seguintes presidenciais, em 2022. “Se eu concurriera como candidato sem partido, seria excepcional. Tentei fazer isso nas eleições de 2018, mas não consegui”.

Centrando-se estritamente nas próximas eleições municipais do próximo mês de outubro, Jair Bolsonaro dúvida entre ir para o corpo a corpo contra Lula da Silva ou tentar rebaixar perante a opinião pública o impacto desta convocação, para minimizar o impacto de uma possível queda. Sem um partido próprio, escolher a que candidato a prefeito apoiar para competir com o Partido dos Trabalhadores e seus aliados não é tão imediato como parece. “Se houver um nome bom, subimos ao púlpito sem nenhum problema”, confessou o atual presidente. A única condição que coloca sobre a mesa é que os candidatos estejam filiados a partidos não alinhados com a ideologia que o acompanha há décadas.O medo da derrota nota-se em ambos os adversários. Nem o Partido dos Trabalhadores de Lula da Silva conseguiria levantar-se de uma outra queda semelhante à das eleições presidenciais de 2018. O pânico a enterrar definitivamente o futuro político de figuras como Fernando Haddad, o candidato presidencial que substituiu Lula contra Bolsonaro, pesa mais do que a vontade de assegurar determinados municípios. Haddad pode voltar a lutar pela prefeitura de São Paulo, cidade que governou entre 2013 e 2017 –depois de ser ministro da educação–, mas isso seria restringirle muito: hoje é o melhor lugar-tenente de Lula a nível nacional. E é que Lula da Silva, embora tenha saído da prisão, ainda está desativado para concorrer às eleições presidenciais de 2022.

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